Pânico na Floresta

(...) O céu estava escuro quando Nando abriu os olhos. Um vento forte dobrava a copa das árvores e um estrondo no horizonte descrevia a tempestade que chegava. Os raios, refletidos nas águas do riacho, iluminavam uma cena de guerra: corpos exaustos atirados ao chão.

Deitado sobre a relva, Nando arrastou-se às margens do riacho e bebeu da límpida água. Arrancou a camisa e amarrando suas extremidades mergulhou-a. Tomando nas mãos o pequeno balde improvisado, molhou nossas cabeças, acordando-nos.

- Vamos! Vamos! Temos que achar um lugar para nos protegermos. Tem uma tempestade a caminho.

Outro estrondo soou mais próximo, acompanhado de uma seqüência de raios que cortavam o céu escuro.

- Onde estamos? Perguntei.

- Não faço a mínima idéia. Confirmou Nino, olhando à nossa volta.

- Onde está o Marcos?

- Ele estava com você, apontou-me James.

- Marcos! Marcos! Chamamos a esmo, sem obtermos resposta.

O barulho do vento sobre a mata era ensurdecedor. Gritávamos uns com os outros, tentando entender o que acontecera com nosso companheiro. O desespero espalhava-se e fazia com que o medo nos tirasse a linha da razão.

- Temos que voltar. Temos que voltar. Gritava Nino, apontando para o coração da mata, enquanto continuávamos a chamar pelo companheiro.

- Não podemos voltar agora! Comandou James. Temos que esperar a tempestade passar, é muito arriscado. Muito perigoso!

Um novo clarão cortou o céu, anunciado por um trovão que explodiu logo acima das nossas cabeças. Um raio atingiu a mata e o vento forte assoprou a faísca. O fogo se levantou a favor do vento, que soprava contra nós, colina acima.

- Fogo! Fogo! Gritei com todas as minhas forças. A mata está em chamas, temos que sair daqui.

Entrei em pânico. A imagem do amigo Marcos correndo entre as árvores em chamas, gritando por socorro, apoderou-se de minha mente. Corri em direção à mata em chamas, gritando pelo amigo. (...)

Alguns Trechos

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