O Enigma Continua

(...) A noite caía com firmeza, deixando transparecer uma lua avermelhada pelos últimos raios de sol. O Jipe cortava o pasto rumo à colônia de trabalhadores. De repente, Max tomou um outro caminho, um atalho que levava diretamente à mata baixa do riacho norte. Este riacho nascia no monte mais alto que circundava a fazenda e acompanhava o relevo levando água nos principais pontos de alimentação dos animais, servindo também como fonte de irrigação. Ao pé da montanha, um paiol coberto de palha que normalmente era usado para a guarda provisória da colheita dos cereais, dava abrigo aos colonos que faziam a vigia em busca do cavalo desaparecido. Um enorme descampado que separava a área de plantio da mata baixa abria-se à frente, deixando ver os girassóis que cobriam a terra como um manto verde e amarelo. Uma espécie com características típicas do lugar - enormes cabeças eram sustentadas por pequenos caules – mediam em média um metro de altura, enquanto as cabeças tinham quase oitenta centímetros de diâmetro.

Como das outras vezes, as maiores possibilidades eram de encontrar o animal próximo à trilha proibida. Em suas fugas anteriores, Alado escondera-se sempre no mesmo lugar. Era como um encontro marcado todo início de verão. Porém, desta vez ele não deixara rastro algum. A fogueira acesa no terreiro em frente ao paiol dava a nítida impressão de uma festa junina no Arraial. Usada para espantar os animais durante a noite, aquecia também o bule de café, indispensável companheiro dos vigilantes.

- Nenhum sinal do cavalo, Max?

- Nada, Tio Aldo. Das outras vezes foi mais fácil, havia marcas por todos os lugares. Ao passar pela plantação de girassol, derrubava tudo que vinha pela frente deixando uma trilha fácil de seguir. Agora parece que está andando com os pés nas costas. Não deixou nenhuma pegada. Nem mesmo o Hook o farejou.

- Max, troque os vigias e os mantenha aqui por alguns dias. Talvez ele ainda apareça por aqui. Quanto às ordens extremas continuam as mesmas.

Enquanto Max dava as ordens aos colonos, Tia Nena tentava apaziguar os ânimos do marido:

- Querido, será realmente necessário sacrificar o animal?

- Helena. Não podemos colocar ninguém em perigo. As ordens quanto à integridade dos colonos ou de qualquer pessoa que estiver sob a tutela da fazenda são bem claras. Parece-me inevitável o sacrifício do animal (...).

Alguns Trechos

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