O Menino e Seu Sonho

(...) Nino saiu correndo em direção a uma rocha que se impunha à beira do riacho.

Subiu, e como fazia na cumeeira do celeiro abriu os braços, sentindo na alma a direção a seguir. Ficou assim por um instante. Virou-se a favor do vento e num ritual de sabedoria e graça, soou o apito que trazia pendurado no pescoço.

Como uma cortina, as nuvens se abriram deixando passar um foco de luz. O sol o iluminou, como se fosse um ser único na face da terra. E ali ele ficou, de braços abertos, até se ouvir no infinito um pio estridente. Era Guiga, que num vôo de mergulho, surgindo do nada, pousou nos braços do companheiro. Nino acariciou-a e virando-se em direção a mata, arremessou-a no ar.

A águia tomou o céu e contra o próprio instinto de sobrevivência, por entre as nuvens de fumaça, se aventurou. Sobre a rocha, de braços abertos, Nino deixava-se levar pela imaginação e voava a favor do vento. Soou novamente o apito e um outro pio rompeu a mata (...).

Alguns Trechos

Nivaldo Donizeti Mossato - Todos os direitos reservados