Um empréstimo de Deus

Tenho refletido muito sobre a nossa responsabilidade em relação aos nossos pais e filhos. Este é um círculo da vida no qual estamos inseridos e somos responsáveis diretos. Se olharmos para trás, vemos que somos uma continuidade da vontade de Deus para com nossos pais, e, nossos filhos, a renovação desta vontade. Temos muitas vezes a certeza que nossos filhos são nossa propriedade e os educamos como tal. Com certeza, estes serão filhos do mundo. Se somos vontade de Deus, nossos filhos são frutos desta mesma vontade. Um empréstimo por tempo determinado. E como todo empréstimo, um dia teremos que efetuar a devolução deste capital. Podemos fazê-lo crescer e multiplicar-se; Podemos simplesmente ignorá-lo, ou pior ainda, deixá-lo deteriorar-se, imerso nas coisas do mundo.

Mas, repito: - Um dia teremos que devolvê-lo!

Alguns efetuam a devolução mais cedo, outros mais tarde. Outros, são devolvidos mesmo antes de verem suas espigas repletas de grãos.

Haverá com certeza a hora da colheita. Ela será feita, e, as espigas serão ceifadas de modo que algumas servirão de sementes para um novo plantio; assim, darão novamente frutos na terra. Outras, servirão de adubo para que a terra tenha força para uma nova colheita. Mas, ai daqueles que forem jogados aos porcos!

Um bom pai planta em seus filhos uma boa semente. Semente que se bem preparada, retorna à terra para dar frutos em novas espigas. Espigas que repletas de boas sementes, serão novamente semeadas em terra fértil, continuando o círculo da vida, em Deus.

Uma boa semente precisa de bons cuidados. Um bom plantio depende de um bom clima, de uma boa terra, adubada e preparada. Depende também, da proteção contra “as pragas” que com certeza, encontraremos pelo caminho até a época da colheita.

Tem a hora certa e o tempo certo do plantio, da poda, da capina e da colheita.

É necessário proteger a semente!

Embora proteger, não significa “ocultá-la” das intempéries da vida.

Não se protege uma semente do frio, ocultando-a no calor. A proteção vem da “climatização”, ou seja, pouco a pouco fazemos com que a semente adapte-se à nova situação climática, tirando dela a melhor produtividade. É assim com nossos filhos.

Um bom pai, protege seu filho.

Não ocultando-o das “coisas” do mundo ou dizendo “Sim” para todas as suas vontades. Quem ama, diz “não”! Toda hora e vez que se fizer necessário.

Uma boa árvore dá bons frutos quando se faz a poda no momento certo.

A semente (o filho) depende de uma perfeita interação entre a qualidade do solo (o pai ) e a harmonia do clima ( a mãe ) para ter reais chances de transformar-se em boa espiga. Não é o pai ou a mãe que educa. É o resultado do relacionamento entre os dois (unidade) que irá incutir na criança a exemplificação do que se pode ou não fazer.

A verdadeira educação se faz em primeiro plano com atitudes. Posteriormente, com palavras. Vive-se, e raramente será preciso corrigir. Embora, na hora da poda, se faz necessário arrancar com convicção alguns galhos, para que possamos ver, no futuro, uma frondosa árvore dando bons frutos. E esta convicção é que nos dará respaldo para respondermos quando indagados por Deus:

“O que fizeste com as sementes que lhe dei?”

Nivaldo Donizeti Mossato

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